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O que diferencia os grupos de interesse, partidos políticos e movimentos sociais?

É importante caracterizar a natureza específica dos grupos de interesse com o objetivo de diferenciá-los de outras formas de ação coletiva, sobretudo dos partidos políticos e movimentos sociais.

A singularidade desse instrumento de representação de interesses nos seguintes requisitos: a) grupos de interesses não participam de eleições e, portanto não competem pelo poder; b) grupos de interesses utilizam os recursos que captam de seus membros para tentar influenciar as decisões políticas em vários âmbitos, sejam eles locais ou nacionais ou nas esferas executiva, legislativa ou judiciária; c) grupos de interesses são organizados externamente às instituições governamentais que tentam influenciar; d) grupos de interesses devem possuir um padrão periódico de articulação; e) grupos de interesses devem possuir um procedimento organizado para estabelecer a natureza e os meios de sua articulação de interesses e f) grupos de interesse devem possuir uma continuidade quanto a sua estrutura interna.

Grupos que não organizam seus membros em torno de políticas, nem levam políticas aos seus membros ou integrantes, nem buscam mobilizá-los para exercer influência política não devem ser considerados como grupos de interesse.


Aqueles grupos que compartilham os mesmos objetivos e tentam influenciar as políticas públicas, mas muitas vezes estão orientados por interesses particularistas, geralmente de natureza econômica e que não demonstram atenção quanto ao interesse geral, não são pautados pela noção de “interesses politicamente relevantes”.


A observância dessa noção nos garante maior especificidade quanto aos interesses representados pelos grupos. Para esses autores, a expressão interesse quando relacionada a grupos deve abranger apenas “interesses politicamente relevantes”.


No entanto, o caráter determinante e que diferencia os grupos de interesse dos partidos políticos é o fato de que os grupos de interesses têm a articulação de interesses como função política típica.

Enquanto a articulação de interesses é função própria dos grupos de interesses, a agregação dos interesses é função específica dos partidos políticos.


Os grupos de interesses se esforçam para enfrentar um problema imediato e pontual e, depois, se transformam para prestar serviços necessários aos seus membros.

Diferentemente dos partidos, não se colocam já no momento da sua constituição como representantes de muitos interesses, e nem passam a defender causas diferentes das quais foi criado para resguardar. A interpretação das ideologias e das preocupações materiais restringe singularmente a distinção entre os grupos que defendem ideias e os que representam interesses – comumente particularistas.


De maneira geral, os grupos de interesses atuam dentro de uma faixa própria de interesses dos seus membros em um ambiente supra ideológico e suprapartidário. Porém, os grupos possuem caráter ultrapartidário e, diferentemente dos partidos, não buscam o exercício direto do poder.


As diferenças existentes entre grupos de interesses e movimentos sociais podem ser caracterizadas a partir de dois prismas. O primeiro é meramente ideológico e o segundo relaciona-se aos canais de participação que utilizam.


Os movimentos sociais ao surgirem apresentaram um caráter mais combativo, rebelde e autônomo em relação ao Estado. Já os grupos de interesses fortalecem-se com o claro objetivo de atuar nas esferas institucionais de poder e influenciar o processo decisório. Para isso, esses grupos necessitavam de membros qualificados e capazes de compreender as engrenagens do poder, uma vez que é preciso entender as regras do jogo político para jogá-lo.


Espontaneidade e informalidade são características muito mais utilizadas para descrever os movimentos sociais do que os grupos de interesses. Os últimos construíram uma ação pautada pela busca de eficácia e eficiência. Coletar informações, sistematizá-las, moldá-las as suas intenções, oferecê-las aos tomadores de decisão para depois pressioná-los a fim de defender seus interesses é o principal objetivo dos grupos de interesses. Dessa forma, não existe repúdio por parte desses grupos no que tange as formas institucionalizadas de fazer política, ao contrário, sua atuação as privilegia.


Em suma, os movimentos sociais apresentam um discurso e uma ação mais transformadora e menos institucionalizada e os grupos de interesses, por sua vez, jogam o jogo segundo as regras pré-determinadas pelo Estado, buscando reformá-lo.


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