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Como Alinhar a Estratégia de RIG à estratégia de negócios da organização

Dois rios paralelos serão eternos vizinhos, sem que nunca um possa contar com a força da vazão do outro. No mundo corporativo, a metáfora ajuda a descrever uma estratégia de RIG que não esteja alinhada à estratégia de negócios da organização. Elas podem até estar próximas, porém não vão poder contar com a força uma da outra.

A estratégia de RIG e a de negócios da organização, se bem alinhadas, possuem potencial para aumentar o papel das áreas de RIG na estratégia de negócios das organizações, garantindo seu protagonismo.

Frente aos demais profissionais, os profissionais de RIG têm um importante diferencial. Eles são capazes de navegar com sucesso tanto no ambiente externo, quanto no ambiente interno das organizações. Esses profissionais são responsáveis por captar e interpretar aspectos sociais, políticos, econômicos e jurídicos a fim de nortear a interação da organização com seus públicos e, ao mesmo tempo, trabalham com eficácia junto aos clientes internos para atender suas necessidades e, assim, obter e manter o respeito e a atenção da alta liderança.

Devido a esse fato, tais profissionais têm mais facilidade para alinhar fatores externos que podem impactar a organização e a estratégia geral do negócio, combinando estratégias de mercado e estratégias de não mercado**. Mas, estariam as organizações atentas a esse fato e se beneficiando dele? O que os profissionais de RIG poderiam fazer para mudar essa situação?

Do meu ponto de vista, 2020 tem se mostrado um momento excelente para obter maior protagonismo, uma vez que a percepção acerca do impacto das ações governamentais no desempenho dos negócios se fortaleceu devido à crise gerada pela covid-19.

Dessa forma, para se beneficiar dessa oportunidade é preciso investir tempo, dinheiro e energia para instrumentalizar a gestão das áreas de RIG. Essa instrumentalização passa pela inserção de processos de planejamento estratégico seguidos do necessário alinhamento entre as estratégias de negócios e de RIG.

Enquanto o planejamento estratégico é uma metodologia baseada em colaboração que tem como objetivo definir a direção que a organização deve seguir, por meio da descoberta de objetivos válidos e não-subjetivos, o alinhamento estratégico é a adequação e integração funcional entre ambiente externo (mercados) e interno (estrutura administrativa e recursos financeiros, tecnológicos e humanos) para desenvolver as competências e maximizar o desempenho organizacional.

Para que o alinhamento estratégico ocorra de maneira efetiva, eficaz e eficiente é preciso levar em consideração dois importantes fatores:

1) o alinhamento estratégico deve ser iniciado na etapa de formulação do processo de planejamento e,

2) para promovê-lo é preciso tornar os processos de planejamento estratégico de negócio e de RIG um processo único.

Na prática, o alinhamento estratégico de negócio e de RIG é alcançado quando o conjunto de estratégias e táticas de defesa de interesses e/ou causas – objetivos, estratégias e táticas – é derivado do conjunto estratégico organizacional – missão, objetivos e estratégias. O elo entre negócio e RIG corresponde ao grau no qual a missão, os objetivos e os planos de RIG refletem, suportam e são suportados pela missão, pelos objetivos e pelos planos de negócios da organização.

Essa tarefa não é fácil, ainda mais se RIG ainda não possui um papel relevante na estratégia de negócios. A relevância de RIG pode ser alcançada quando o alinhamento entre as estratégias de negócio e de RIG se torna um dos objetivos principais da área, pela possibilidade de potencializar a identificação de novas oportunidades de negócios e pela obtenção de vantagens competitivas baseadas em soluções inovadoras.

Esse tema é muito abrangente e este é o primeiro artigo sobre isso. Nos próximos, vamos focar as variáveis que promovem o alinhamento estratégico na etapa da formulação do planejamento estratégico. Até breve!

* Andréa Gozetto é Diretora Executiva da Gozetto & Associados. Desde 2015 dedica-se a apoiar as áreas de RIG a aprimorar a sua gestão estratégica e a basear suas ações de incidência política em evidências científicas. É idealizadora do MBA em “Economia e Gestão – Relações Governamentais” e do curso de curta duração “Advocacy e Políticas Públicas: Teoria e Prática” da FGV/IDE, sendo coordenadora acadêmica em São Paulo. Possui Pós-doutorado em Administração Pública e Governo (FGV/EAESP), Doutorado em Ciências Sociais (UNICAMP), Mestrado em Sociologia Política (Unesp-Araraquara) e Bacharelado em Ciências Sociais (UFSCar). Atua como mentora de carreira em RIG, orientando e aconselhando profissionais a potencializarem seus resultados.

** De forma geral, entende-se que o ambiente de mercado é composto por interações comerciais, envolvendo transações econômicas intencionais e que o ambiente de não mercado inclui interações que são intermediadas pelo público, governos, mídia e instituições públicas

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