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Issues management como ferramenta de gestão estratégica de RIG

Atualizado: Jun 28

Em artigo anterior** afirmei que para que RIG possa realmente gerar valor, a sua estratégia deve estar alinhada à estratégia de negócios da organização, haja vista, ser RIG uma área de suporte.


Essa estratégia é formalizada em um planejamento, que normalmente se divide em três dimensões: operacional, tático e estratégico. Além de formalizar a estratégia da área, o planejamento estratégico traz clareza. Clareza sobre a situação atual enfrentada, sobre o caminho a seguir e sobre as ações que devem ser realizadas para alcançar os objetivos estratégicos definidos.


Só quem já elaborou um planejamento estratégico de RIG sabe o quão complexo ele pode se tornar. Tal complexidade é resultado da variedade de temas que impactam as organizações. Sendo assim, esses temas precisam ser devidamente gerenciados, não apenas no bojo do planejamento estratégico, mas também no dia a dia das áreas de RIG.


Para gerenciar estrategicamente os diversos temas que impactam as organizações, as áreas de RIG podem utilizar o sistema/processo de issues management.

"Ao falarmos de crise, o primeiro passo que devemos dar é o Issue Management. Ele tem como função mapear todos os riscos da organização, toda a comunicação utilizada, todos os públicos envolvidos e tudo que há em torno dela e que pode vir a gerar uma crise. O trabalho desenvolvido deve ser rigoroso e não deve-se esconder nada. São desses problemas que conseguimos detectar as soluções."

O issues management surgiu na década de 60 do século passado como uma resposta estratégica das empresas privadas norte-americanas que perceberam ser necessário monitorar e se antecipar a uma série de ameaças advindas do ambiente externo, muitas delas relacionadas a movimentação da sociedade civil em torno da defesa dos direitos civis e dos protestos antiguerra. Nesse momento da história dos E.U.A., ativistas estavam pressionando pela promulgação de leis e pelo estabelecimento de novas regulamentações que forçassem a adoção de novos padrões de governança ambiental, social e corporativa.


A ação dos ativistas se intensificou fortemente e as empresas privadas se beneficiaram dessa estratégia de gerenciamento desenhada para alertá-los antecipadamente sobre os riscos advindos do ambiente externo.

Muito associado à comunicação — era também conhecido como issue advertising, advocacy communication, single-issue advertising e controversy advertising — , o termo se consolidou apenas em meados de 1990.


Com o passar das décadas, os especialistas observaram duas importantes questões. Em primeiro lugar, tratava-se de uma estratégia de gerenciamento e não apenas de um sistema de monitoramento de comunicação ou de temas e/ou problemas. Em segundo lugar, embora o monitoramento fosse extremamente importante, era preciso atender as expectativas dos críticos e comprometer-se em desenvolver ações que fomentassem a governança ambiental, social e corporativa.


Por isso, este processo passou a compor o plano estratégico de negócios das organizações. Com essa incorporação, elas passaram a ser capazes de identificar oportunidades e antecipar riscos que pudessem afetar o cumprimento de sua missão e visão.


Isso quer dizer que, com o issues management, as organizações passaram a poder reagir estrategicamente às ameaças decorrentes da arena de políticas públicas, mas, sobretudo, passaram a poder identificar e até mesmo criar oportunidades por meio de legislação, regulamentação e processos judiciais.

"É fato que, as organizações que optaram por implementar um sistema de gerenciamento de temas e questões do ambiente externo têm realizado ações proativas, que buscam identificar oportunidades e não apenas antecipar e mitigar riscos."

Para construir um sistema de issues management eficaz, eficiente e efetivo há dois pontos relevantes a avaliar. Primeiramente, é preciso aplicar de forma proativa e combinada, ao menos, quatro funções estratégicas:

  • Plano de negócios estratégico: dar suporte ao planejamento estratégico informando sobre oportunidades e ameaças advindas da opinião de públicos chave e do mercado que podem influenciar a arena das políticas públicas.

  • Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG): implementar padrões de governança ambiental, social e corporativa que atendam as expectativas dos stakeholders prioritários.

  • Amplo monitoramento: coletar informações, identificar, monitorar, analisar e definir prioridades.

  • Comunicação: defender ou atacar de forma inteligente, comunicando-se continuamente com os stakeholders prioritários de maneira coerente e apresentando justificativas baseada em evidências científicas.

Em segundo lugar, é preciso ter claro que tal sistema não é responsabilidade de apenas uma área da organização. RIG pode e deve liderar, mas não fará nada sozinha. Se não houver apoio da alta liderança e a colaboração de todos, inclusive das áreas operacionais, dificilmente o sistema contribuirá para que a organização se torne mais inteligente, ágil e visionária.


Nos próximos artigos dessa série vou discutir os principais desafios enfrentados pelos gestores de RIG na concepção e operacionalização de um sistema de issues management e, é claro, trazer dicas práticas sobre como construir um sistema integrado para gerar valor.


**Fonte: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/coluna-irelgov/o-desafio-de-mensurar-resultados-em-rig-12082020


Relembre os demais artigos da série clicando abaixo:

  1. A essência do Issues Management em Relações Governamentais

  2. Issues Management, uma filosofia organizacional

  3. Como construir um Issues Management System

  4. Implemente um Sistema de Issues Management


Artigo originalmente publicado no Blog da Sigalei. Disponível em: https://www.sigalei.com.br/blog/issues-management-como-ferramenta-de-gestao-estrategica-de-rig


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